Pensata?

Ao ler as entrelinhas do artigo de Fernando Canzian para a Folha, não me resta pensar outra coisa a não ser: “quanta pataquada!”

Muito me diverte perceber como as classes A e B e toda essa aparente elite intelectual, da qual Fernando Canzian supõe fazer parte, se incomodam com certas mudanças na mobilidade das classes sociais. Realmente, me parece mais justo concentrar grande parte da renda nas mãos de poucos e acentuar os contrastes socioeconômicos, tal como nos saudosos anos de governo FMI, digo, FHC, em prol do controle desse caos chamado “diversão das classes C, D e E”.

Link da anedota:

Do bom senso crítico

Parece-me que, ironicamente, o Seminário de Crítica Literária promovido pela Faculdade de Letras da UFMG não conseguiu despertar o pensamento crítico em seus ouvintes.

Não sei se isso se deve pelo fato de o assunto principal do evento não ser devidamente discutido e trabalhado no meio acadêmico (o que por si só já não proporciona nem ao menos certo conhecimento prévio sobre o tema, pondo-o à deriva, e muito menos a capacidade de posicionamento crítico por parte dos alunos/público), ou se a causa mortis da eficácia do seminário, esta a meu ver ainda mais grave, se deu pela postura adotada pelos palestrantes, marcada por uma sutil pedância intelectual no que diz respeito à abordagem de um tema com o qual somente eles, organizadores e meia dúzia de colegas doutores envolvidos nesse conchavo estão familiarizados.

Não foi de se espantar que, nos momentos destinados a debate, apenas professores tenham promovido indagações e reflexões brilhantes, proferidas majestosamente do púlpito. Talvez essa seja a imagem que melhor sintetize o rumo e interesse das discussões no seminário: raramente dados de baixo para cima ou de cima para baixo, mas na horizontal, no mesmo nível de intelecto e de presunções de doutores e pós-doutores.

De fato, não creio que não houve professor que não achasse o seminário produtivo. E assim o fora, pena que só para eles. Os alunos/ouvintes, doravante leigos, se saíram muito bem na função de corpo presente. E tudo isso sem nenhum ensaio.

20 anos recolhidos

Curioso como a poesia de Chacal continua comovendo muita gente. Ricky Martin, por exemplo.

Motivos para odiar o orkut

1. O orkut promove e incentiva a comunicação não-pessoal, isto é, fria, impassível, degenerativa e mecânica. Em muitos casos, mesmo tendo a possibilidade de conversar diretamente com outra pessoa, o portador de perfil no orkut prefere se valer desse subterfúgio a ter que encarar o outro.

Consequência: o homem do futuro *risos* não terá saudade, terá péssima caligrafia, será introspectivo com instinto sociopata.

2. O orkut vicia. Vícios não são bons para a saúde. Logo,  o orkut não é bom.

3. O orkut não tem corretor ortográfico. A linguagem da internet, potencialmente útil e adequada ao espaço virtual, acaba se dimensionando para a realidade, a qual exige em suas relações sociais formais outro padrão comunicativo,  sobretudo em relação à linguagem escrita.

Consequência: promove a disseminação de uma tal de linguagem virtual, errônea e inadequada em outras circunstâncias.

4. O orkut está repleto de mentirosos.

Que tal adicionar um “amigo” que você nem conhece? Melhor: dizer a ele “olha, te amo” ou “uhhhh, vc eh legal d+!!!!!” sem nem deduzir a índole de tal elemento? Afinal, o importante é a quantidade de “amigos” que você possuir, não é mesmo (independente de eles serem fakes ou não)?

Consequência: o “homem do futuro” não terá senso, bom senso, médio senso, nada. Não fará pré-julgamentos nem questionamentos . Será inerte e alienado. Enxergará a formação e manutenção de seus relacionamentos mediante a conveniência dos casos.

5. O orkut não sabe contar. Nem o número de amigos, tampouco o número de fotos – e não tente entender como se dá o cálculo daquela porcentagem indicativa de “legal”, “sexy” e “confiável”.

Consequência: disseminação errada da Matemática e da Aritmética.

Ready-made me


Acho que vou continuar seguindo os não-conselhos do Paulo Nazareth e continuar promovendo coisas a objeto de arte.
Talvez seja minha forma sutil de deixar flores no túmulo de Nelson Goodman.

A teoria e seu demônio

Estava aqui hoje me perguntando: por que raios Antoine Compagnon não se divertiu mais em sua vida ao invés de tentar promover esse compêndio de referências, essa súmula da babel literária chamada “O demônio da teoria”?
Ainda que a leitura dessa obra seja minha aventura sádica de quase todas as tardes, muito me incomoda perceber como o Sr. Compagnon obtem tanto mérito por meio de uma obra que não passa de um conjunto bem arquitetado de alusões teóricas e outros apanhados literários previamente recortados pelo autor francês.
Há de se julgar, para todo fim, que o legado de Julia Kristeva contribui para essa trapaça – o que, se não diminui a obra de Compagnon, a torna mais, digamos, intertextual (seja lá qual conotação isso tenha).

Hora do quê, mesmo?

Ontem, durante a Hora do Planeta *risos*, foram liberadas cerca de 114 mil toneladas de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera.

É, estamos nos saindo muito bem. Direitinho, eu diria.