Acerca do ENEM e algum buzinaço

Frente ao ethos prévio – e profético – da alta cúpula da UFMG e sua decisão de aderir ao ENEM, muitos estudantes se reuniram hoje na praça de serviços do campus para reclamar de tal medida. Eles alegam o quão prejudicial tal adesão pode ser, tanto para os candidatos a uma vaga nessa instituição quanto para a própria UFMG.

Para entender a solidez e a coerência da postura dos estudantes, bastava ouvir atentamente alguns gritos de guerra , aqui reproduzidos:

“Não pago, não pagaria! Educação não é mercadoria!” – e, de repente,  zás! todos se esquecem de que 98% dos manifestantes são alunos de cursinho e, consequentemente, vítimas dessa mesma educação-mercadoria criticada.

“Ei, reitor, vai ler O desertor!” – como se, realmente, todos os estudantes, ao lerem a obra de Silva Alvarenga, identificaram um claro exercício de vituperação ao vício da ignorância que, muito facilmente, poderia ser projetado sobre a atitude da reitoria e do conselho universitário.

“ENEM é só caô! ENEM é só caô-ôôô!” – grito de guerra este que, segundo as más línguas, chegava aos ouvidos do reitor como “ENEM me soca, ô! ENEM me soca, ô-ôôô!”

Tanto barulho que acabou se tornando um jogo per contrarium.

Já podemos esperar o vazamento das provas ou fazer uma consideração como essa é tautológico?


Reitoria e seu ethos prévio

Em sua primeira reunião com a Comissão Permanente de Vestibular da UFMG, o reitor Clélio Campolina fez questão de tocar em duas feridas mal cicatrizadas na instituição: ENEM e SiSU. Valendo-se da posição do antigo reitor sobre o assunto, muito bem expressa, aliás, em “funcionários podem expressar suas opiniões individuais, mas que só o reitor fala pela universidade” (PENA, Tadeu. Blá blá blá e outros discursos. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2010.), Campolina afirmou que, particularmente, se diz favorável aos modelos de ENEM e SiSu. Por pressuposição, insira Reuni junto aos termos anteriores.

Mais uma vez, contou-se com a colaboração daquele mesmo professor de Análise do Discurso que, por não gostar muito da idéia, desabafou com seus alunos, permitindo que tudo isso se fizesse público.

Haja Forcops e Patrick Charadeau!

Aforisma

Literatos não têm momentos Nardoni: têm momentos Ana Cristina César.

Crianças, o futuro da nação.

ou “Família, berço da educação” – desde que não seja a ”família Restart” [?]

Eu também acho uma puta falta de sacanagem (sic). E de vergonha na cara.

Aproveita o não-show do Restart e restarta a vida, ameba. Mas pelo twitter não vale, viu.