#euamoomeuprefeitoradicalmente

Os últimos fôlegos de 2010 não poderiam ser mais surpreendentes:

A fórmula da aprovação? Não promover a expansão do metrô, contornando o problema por meio de acordos com empresários das linhas de ônibus; dobrar o preço do restaurante popular; cancelar o FIT e apresentações culturais na Praça da Estação, sendo obrigado a reconsiderar a medida, e diminur a verba da educação para usar em campanhas educativas-publicitárias.

Adeus ano velho, feliz ano novo. Eu amo BH radicalmente ou nós vamos ganhar e vamos chutar a bunda deles?

Moléstia de Macunaíma

Em carta destinada a Carlos Drummond de Andrade, datada de 1924, Mário de Andrade denuncia o que ele chamou de “moléstia de Nabuco”, uma doença na postura crítica e intelectual que afetava uma grande parcela da sociedade brasileira, tendo por sintomas uma certa “saudade do cais do Sena em plena Quinta da Boa Vista” e em “falar de um jeito e escrever covardemente colocando o pronome carolinamichaelismente” (referência à filóloga da língua portuguesa Carolina Michaëlis). O nome dessa patologia foi dado em homenagem a Joaquim Nabuco, figura notória no panorama nacional do final do séc. XIX e início do séc XX que, apesar de suas louváveis inclinações abolicionistas e acerca da liberdade religiosa, sofria de um certo estrabismo cultural facilmente detectado em afirmações como:

As paisagens todas do Novo Mundo, a floresta amazônica ou os pampas argentinos, não valem para mim um trecho da Via Appia, uma volta da estrada de Salerno a Amalfi, um pedaço do cais do Sena à sombra do velho Louvre.”

86 anos após o diagnóstico de Mário de Andrade, parece que a moléstia que nos acomete é, ironicamente, outra. Superada a dependência eurocêntrica na construção da nossa identidade – à base de uma medicação e de uma posologia predominantemente antropofagistas – nos restou como efeito colateral desse tratamento a insistente reafirmação dessa conduta que cheira a fevereiro de 1922: um instinto de nacionalidade pautado em um olhar endógeno que só enxerga fauna, flora, índios e regionalismos.

Sempre que nossa identidade nacional precisa ser estabelecida cultural e literariamente, de uma forma bem fácil e rápida, recorre-se a uma postura que se sustenta em meia dúzia de topói que nos reduzem ao que mais superficialmente nos caracterizam. Tal como se ainda fóssemos arcadistas ou românticos, concebemos que instituir o selo da nacionalidade se resuma à afirmação da cor local, da paisagem que nos cerca e da qual fazemos parte. O problema é que, hoje, o Ferdinand Denis ou o Almeida Garret que nos orientam é um certo Macunaíma que ingenuamente ainda não percebeu que o ideal modernista de 22 se tornou um lugar-comum travestido de nacionalismo. Não necessariamente pela imagem que o estrangeiro, o outro, possui de nós – essa admirável terra de macacos, bananas e mulheres nuas -, esse malogro do pitoresco como estetizador da natureza e da identidade; mas sobretudo pelo mal uso com que nós nos permitimos fazer da palavra “brasileiro” e de tudo aquilo que potencialmente ela pode vir a significar.

Ou alguém duvida que a bola da Copa do Mundo de 2014 no Brasil terá um nome tupi?

Exame Nacional do Ensino…

Frente ao iminente colapso da máfia do sistema de cursos pré-vestibulares, a necessidade de um diferencial que aja como estratégia inovadora e potencialmente atraente se tornou imperativa, sobretudo em Belo Horizonte, onde os cursinhos são monopolizados pelos irmãos Rodrigo e Rommel Domingos ou por Paulo Miranda  bastante competitivos. O problema é quando o diferencial é inovador demais:

O pior é que, dessa vez, a culpa não é do ENEM – com “M”, de preferência. Ainda bem que o cursinho se chama Soma; porque se se chamasse Sigla

p.s.: esta postagem NÃO foi patrocinada por Paulo Lamac.

A cárie do STF

A última apresentação de despesas diárias do Supremo Tribunal Federal revelou que um dos maiores incômodos orçamentários do órgão é – pasmem – a cárie dentária.

No mínimo, há algo de podre na boca do STF.
Taí uma excelente oportunidade para o Ministério da Saúde estender sua campanha sobre a importância da escovação de dentes a lugares nos quais seria impensável (a palavra correta deveria ser inadmissível) encontrar tamanha pouca vergonha nessa cara lavada falta de higiene – metaforicamente falando, claro.

Queremos saber qual relator de CPI fará o papel de dentista. Independente disso, uma dica ao STF.
A íntegra das despesas você pode conferir aqui .

Fucking stupid

Pior do que um povo ter fama de idiota é um povo confirmar que é realmente idiota. Que o digam os estadunidenses:

Malditos yankees e seus triângulos de um lado só! Nem chegam aos pés dos brasileiros, este povo heróico de brado retumbante:

Bem… desconsiderando os playboys que possuem dois fígados – e quase nada de cérebro -, claro.

Wikileaks Joystick

Parece que Julian Assange já conseguiu instituir outros legados tão divertidos – e convenientemente diplomáticos – quanto o seu Wikileaks:

The-Wikileaks-Game

Ainda que se assemelhe ao Roberto Justus – mas isso é uma outra história.

O fantástico mundo mágico-mimético-anafórico-repetitivo da Disney

Ou, como dizem, “em time que está ganhando não se mexe”, “a fórmula é sempre a mesma”, “mais do mesmo” e “por que eu não li Diferença e Repetição“:

Para o fim das dúvidas sobre qual filme da Disney você deveria dar de Natal ao seu filho/primo/sobrinho/inimigo oculto – o resultado é garantidamente sempre o mesmo.