Encômio das Virtudes – versão Savassi

A prudência, a coragem, a temperança e a justiça: as quatro virtudes cardeais da Antiguidade e da Idade Média. Admoestadas por Platão, louvadas pelos estóicos e introjetadas no pensamento cristão via santo Ambrósio, santo Agostinho e santo Tomás de Aquino, as virtudes não foram abaladas nem sequer pela pós-modernidade – não a ponto de serem aniquiladas, isso é fato, mas sofrendo uma ou outra, digamos, adaptação aos paradigmas dos novos tempos e costumes.

Já que a cultura letrada está para o séc. XVIII assim como a Savassi está para o séc. XXI, porque não olhar para essa peculiar região de Bele Horizonte e encontrar nela o pleno exercício das virtudes clássicas?

A Prudência.

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A Coragem.

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A Temperança.

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A Justiça.

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Quem precisa de um Cesare Ripa quando sem tem uma boa máquina fotográfica e se está no lugar certo, na hora certa e com o ícone a pessoa certa? Ripa até poderia estar pobre atualmente, mas se o sr. Gregório de Matos e Guerra estivesse vivo…

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Essa tal de norma culta

A gangue pasqualecipronetista e todos os demais puristas de plantão talvez nunca estiveram tão alvoroçados. O simples fato de ouvirem frases como “os livro ilustrado mais interessante estão emprestado” ou “nós pega o peixe”, presentes no livro didático Por uma vida melhor, do MEC, parece justificar toda uma sucessão de críticas à “equivocada” proposta. Bem, só parece.

Um levantamento rápido das críticas feitas pelos guardiões da última flor do Lácio inculta e bela prova, na verdade, uma posição hermética e acadêmica demais sobre o uso da língua portuguesa. Não é difícil encontrar termos qualitativos  como “forma errada“, “modo correto de se expressar” e “aprender certo“. Afirmações desse tipo enquadram equivocadamente o caráter dinâmico da língua e sua flexibilidade de se articular em diferentes contextos em um jogo de “certo ou errado”, de “uso bom” e “uso ruim”.

É evidente que não se deve sonegar a qualquer aluno o direito de aprender as construções e regras formais da língua portuguesa, uma vez que essas são a vertente empregada nas principais áreas da esfera social, sobretudo na modalidade escrita. Contudo, com a mesma ênfase que se ensina o modo formal e gramaticalmente esperado da língua, deve-se ensinar que não há certo ou errado nela, mas sim construções adequadas e inadequadas para cada situação e para cada interlocutor.

Estigmatizar as expressões menos formais da língua continuará parecendo uma tentativa de elitizar cada vez mais a norma culta e de torná-la instrumento de prestígio e de legitimação daqueles que a vomitam empregam – embora muita gente ainda confie no poder que essa tal de norma culta tem, não é mesmo desembargador Elpídio Donizetti Nunes?

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“O que mais gosto dela é o seu texto na língua pátria, porque, às vezes, é difícil achar servidores com essa condição”. Culpa da norma culta.

Paint e seus méritos

Talcott Parsons foi um sociólogo estadunidense e um dos representantes do pensamento estrutural-funcionalista. Seu pensamento é pautado na legitimidade da estratificação social baseada na meritocracia: em uma sociedade que (aparentemente) oferece as mesmas oportunidades a todos os indivíduos, estando esses inseridos nela sob as mesmas condições, deverão ocupar os papéis sociais mais elevados e prestigiados aqueles que se destacaram dos demais.

Dessa forma, para que o sistema funcione sem tensões, é necessário que as desigualdades sejam consideradas válidas pelos que ficaram penalizados ou obtiveram recompensas menores, na mesma proporção em que os beneficiados em razão de suas aptidões aceitem a posição que lhes efetivamente corresponda.

Para ilustrar o legado da meritocracia e a relevância do pensamento de Parsons, basta ver como a Wikipédia imortalizou o referido sociólogo:

um desenho feito no Paint: que grande o seu mérito, hein, Parsons!

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Hadouken Aleluia

O que resulta do cruzamento entre as vertentes neopentecostais e Street Fighter?

Maranata wins!

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Nas entrelinhas: e o Akuma, fica sendo as possessões demoníacas? Misericórdia.

Pirandellismos

Você tenta compreender a  tensão entre o real, o verossímil e o fictício instituída no texto literário; você analisa os impasses entre a mímese aristotélica, a mímese platônica e  o conceito de imitatio a fim de confrontá-los com a definição de diegese, se valendo até mesmo dos estudos de Erich Auerbach e de René Girard  para obter maior respaldo teórico; você lê Seis personagens à procura de um autor, de Luigi Pirandello, de modo a não deixar passar nenhuma brecha que evidencie a  construção crítica do simulacro no jogo teatral e o rompimento das estruturas representacionais no palco à italiana; você faz tudo isso para, um dia, se deparar com a notícia abaixo e pensar:

– Foda-se.

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Afinal, “quem é melhor para representar eu a não ser eu mesma?, dizia a Enteada.” E quem melhor do que Geisy Arruda para promover um colapso em Pirandello?

Ainda é extraoficial mas, em função da notícia, alguns médiuns já afirmaram ter ouvido Brecht pedindo insistentemente para reconstruírem a quarta parede. E rápido.

Tetzel quer saber

Johann Tetzel está muito confuso com relação ao PL 122:

Tetzel quer saber se afirmar a heterossexualidade por si só já é um ato homofóbico.