Pirandellismos

Você tenta compreender a  tensão entre o real, o verossímil e o fictício instituída no texto literário; você analisa os impasses entre a mímese aristotélica, a mímese platônica e  o conceito de imitatio a fim de confrontá-los com a definição de diegese, se valendo até mesmo dos estudos de Erich Auerbach e de René Girard  para obter maior respaldo teórico; você lê Seis personagens à procura de um autor, de Luigi Pirandello, de modo a não deixar passar nenhuma brecha que evidencie a  construção crítica do simulacro no jogo teatral e o rompimento das estruturas representacionais no palco à italiana; você faz tudo isso para, um dia, se deparar com a notícia abaixo e pensar:

– Foda-se.

.

Afinal, “quem é melhor para representar eu a não ser eu mesma?, dizia a Enteada.” E quem melhor do que Geisy Arruda para promover um colapso em Pirandello?

Ainda é extraoficial mas, em função da notícia, alguns médiuns já afirmaram ter ouvido Brecht pedindo insistentemente para reconstruírem a quarta parede. E rápido.

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Um comentário em “Pirandellismos

  1. Lucas Araújo disse:

    Wow!
    Pirandello, Brecht e todos aqueles com bom senso se reviram no caixão!

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