Fucking Copa

Enquanto pensávamos até que ponto a realização da copa do mundo iria foder a nossa vida… RÁ! eis que surge a piada pronta:

 

Fucking Copa

 

Nada mais justo do que uma profissional do sexo exigir o seu direito de ser poliglota, embora deveria haver uma campanha de cunho nacionalista defendendo o “vai, painho!” ao invés do “fuck me, daddy”: entre tantas ações governamentais não muito, digamos, eficientes, ao menos essa teria um pano de fundo cultural – sem cheirar a ylang ylang, se é que vocês nos entendem.

Proporcionalmente, esperamos que os professores das redes municipal e estadual de ensino – os quais tomam no c* tanto ou mais do que uma prostituta – também sejam agraciados com as benesses da copa.

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Exegese Financeira

Muito se tem comentado – e não é de hoje – do enriquecimento ilícito charlatanismo má fé aconselhamento teológico sobre o dízimo e as ofertas nas igrejas evangélicas. Seja por meio da vassoura ungida, da fronha abençoada, da pulserinha de Jeová Jiré, da água do rio Jordão ou, em uma proposta que difere desses novos tipos de indulgência, vulgarmente chamada de “fé materializada”, na campanha para atingir um milhão de reais de almas, todos os que desconhecem os verdadeiros princípios bíblicos sobre a lei da semeadura e da colheita  insistem em dizer que tudo isso não passa de oportunismo. E dos grandes.

 

No entanto, para desespero dos anti-IURD, dos antivaldomirosantos e dos antimikemurdock, existe uma lógica nas Sagradas Escrituras, digna de um silogismo vieiriano, que sustenta toda essa lavagem de dinheiro exploração puta falta de sacanagem cristã prática dizimista. Acompanhemos:

Exegese 1

 

Sabendo que o céu é o lugar dos tesouros, o bom Jesus nos aconselha:

Exegese 2

 

Logo, se o céu é o lugar dos tesouros, e prioritariamente o primeiro a ser buscado, como de fato é a Nova Jerusalém e o  que devemos desejar do Reino de Deus que nos é prometido?

Exegese 3

 

Entenderam? Não há nada mais cristão do que enriquecer aqui e antecipar o Reino de Deus na terra. Fazendo o câmbio divino, é só trocar o correspondente em jaspe, safira, calcedônia e esmeralda por grandes fazendas, aviões particulares, carros luxuosos e/ou templos megalomaníacos (ainda que, por enquanto, só os pastores usufruam disso – afinal, o leite e o mel de Canaã não são para todo mundo).

 

Taí uma verdade bíblica inquestionável, quase tão válida quanto a profecia do dá ou desce.

Palavra da salvação.

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Dicionário ilustrado de expressões populares

Hoje iremos atualizar o verbete gato, o qual em sua acepção popular acaba de ganhar mais uma entrada:

 

1. [Zool.] mamífero digitígrado, da ordem dos carnívoros, tipo da família dos felídeos, de que há várias espécies, uma das quais é o gato doméstico.

2.[Pop.] nome dado à ligação elétrica clandestina destinada a furtar energia elétrica.

3. [Crim. Chul.Plaft.Ploft]:

Gato

estratégia criminosa formada a partir da acepção 1. mais a acepção 2.

 

Dicionaristas e lexicógrafos de plantão: a dica está dada.

 

Poiesis televisiva

Motivados pelo anúncio do BBB 13, resolvemos fazer a nossa parte e tentamos promover uma tradução intersemiótica, segundo a teoria de Julio Plaza, para homenagear nossa três vezes heróica cidade de Vera Cruz programação televisiva:

 

À televisão

Teu boletim metereológico
me diz aqui e agora
se chove ou se faz sol.
Para que ir lá fora?

A comida suculenta
que pões à minha frente
como-a toda com os olhos.
Aposentei os dentes.

Nos dramalhões que encenas
há tamanho poder
de vida que eu próprio
nem me canso em viver.

Guerra, sexo, esporte
– me dás tudo, tudo.
Vou pregar minha porta:
já não preciso do mundo.

José Paulo Paes – Prosas seguidas de Odes Mínimas.

 

Nosso cotejamento tradutório intersemiótico:

 

 

Se poesia “é o que se perde na tradução”, entre mortos e feridos salvaram-se todos.
Salvaram-se?

 

Quando a pátria dança conga

A cantora Gretchen, em recente viagem à Europa, resolveu ilustrar os seus bons momentos no Velho Mundo por meio da seguinte legenda:

gretchenpolemica

“Da minha janela eu vejo a beleza da Europa, e você continua vendo o morro da sua favela…”

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Mal sabemos por onde começar a nossa análise, mas temos certeza absoluta de que é em uma hora dessas que ensaios como “Da nacionalidade da literatura brasileira”, “Instinto de nacionalidade” e “Nacional por subtração” ainda têm lá a sua valia.

Não que o amadorismo nacionalista de “Canção do Exílio” já não tenha sido superado, longe disso: mais fácil é perceber que “Conga! Conga! Conga!” pode ser um dúbio estado de espírito muito mais nocivo do que ser “morro da sua favela”.

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Não é falta de bom senso: é falta de desrecalque localista mesmo.

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Agora resta a dúvida: quem se sentiu mais, digamos, ofendido pelo comentário da Gretchen: Santiago Nunes Ribeiro? Machado de Assis?  Roberto Schwarz? Antonio Candido? Carlos Galhardo?

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Da não vidência jornalística

Se depender da boa vontade e do interesse jornalístico, acreditem, 2013 vai ser muito, muito qualquer coisa.

Frente a um novo ano de múltiplos anseios e expectativas, eis que surge Sonia Racy, na companhia de um babalorixá, um astrólogo e um tarólogo (leia-se uma trinca oracular equivalente a um Google mediúnico) e, na possibilidade de perguntar uma dúzia de questões relevantes (a julgar também a relevância para quem se pergunta, claro), indaga exatamente isto:

 

2013 a

2013 b

2013 c

 

Depois reclamam que as previsões de ano novo são sempre vagas e nebulosas. Também, o que esperar de alguém cujo nome é praticamente um anagrama perfeito de icarianos?

 

Não querendo desbancar o palpite de ninguém, mas já antecipando o ano e dando as nossas respostas:

1. estamos no aguardo de como os EUA vão animar o mundo. Brincando de coelhinho-sai-do-abismo é que não vai ser.

2. estrear bem? Vejamos a lista de convidados para a cerimônia de posse…

3. claro, Vale a Pena Ver de Novo chega logo, logo.

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