Poiesis televisiva

Motivados pelo anúncio do BBB 13, resolvemos fazer a nossa parte e tentamos promover uma tradução intersemiótica, segundo a teoria de Julio Plaza, para homenagear nossa três vezes heróica cidade de Vera Cruz programação televisiva:

 

À televisão

Teu boletim metereológico
me diz aqui e agora
se chove ou se faz sol.
Para que ir lá fora?

A comida suculenta
que pões à minha frente
como-a toda com os olhos.
Aposentei os dentes.

Nos dramalhões que encenas
há tamanho poder
de vida que eu próprio
nem me canso em viver.

Guerra, sexo, esporte
– me dás tudo, tudo.
Vou pregar minha porta:
já não preciso do mundo.

José Paulo Paes – Prosas seguidas de Odes Mínimas.

 

Nosso cotejamento tradutório intersemiótico:

 

 

Se poesia “é o que se perde na tradução”, entre mortos e feridos salvaram-se todos.
Salvaram-se?

 

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E se… II

E se o hit do verão, ao invés disto:

fosse isto:

?
Reflitemos.

Derridaísmos

Por mais que se afaste do conceito de destruição, o processo de desconstrução sugerido por Jacques Derrida sempre acaba aniquilando as convicções mais sólidas e cândidas. Não que já não houvesse a perspectiva de se considerar uma dada leitura como possível muito mais do que correta ou absoluta, mas convenhamos:







Desconstruir Ursinho Pooh, mesmo que em nome dessa tal pós-modernidade-pós-estruturalista, é demais.
Esperto foi Derrida, que formulou a teoria da desconstrução de tal modo que tudo pudesse ser desconstruído – menos as ideias dele.

Dicionário ilustrado de expressões da História da Arte

vanguarda“:

Ainda que seja a vanguarda de um século atrás, enfim – pode ser empregada como sinônimo de “vale tudo” ou como eufemismo para expressões como “a culpa é sua por não entender o que eu estou fazendo”, “liberdade para o processo criativo”, “quando a trangressão da tradição se torna a tradição da trangressão” ou ainda “viva o legado da pós-modernidade”.

Zeitgeist

Por gentileza, alguém avise ao Paulo Nazareth que o espírito criativo da obra dele está, digamos, um pouco atrasado:

 Uns 50 anos, eu diria.

 

Ready-made me


Acho que vou continuar seguindo os não-conselhos do Paulo Nazareth e continuar promovendo coisas a objeto de arte.
Talvez seja minha forma sutil de deixar flores no túmulo de Nelson Goodman.