Encômio das Virtudes – versão Savassi

A prudência, a coragem, a temperança e a justiça: as quatro virtudes cardeais da Antiguidade e da Idade Média. Admoestadas por Platão, louvadas pelos estóicos e introjetadas no pensamento cristão via santo Ambrósio, santo Agostinho e santo Tomás de Aquino, as virtudes não foram abaladas nem sequer pela pós-modernidade – não a ponto de serem aniquiladas, isso é fato, mas sofrendo uma ou outra, digamos, adaptação aos paradigmas dos novos tempos e costumes.

Já que a cultura letrada está para o séc. XVIII assim como a Savassi está para o séc. XXI, porque não olhar para essa peculiar região de Bele Horizonte e encontrar nela o pleno exercício das virtudes clássicas?

A Prudência.

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A Coragem.

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A Temperança.

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A Justiça.

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Quem precisa de um Cesare Ripa quando sem tem uma boa máquina fotográfica e se está no lugar certo, na hora certa e com o ícone a pessoa certa? Ripa até poderia estar pobre atualmente, mas se o sr. Gregório de Matos e Guerra estivesse vivo…

Pirandellismos

Você tenta compreender a  tensão entre o real, o verossímil e o fictício instituída no texto literário; você analisa os impasses entre a mímese aristotélica, a mímese platônica e  o conceito de imitatio a fim de confrontá-los com a definição de diegese, se valendo até mesmo dos estudos de Erich Auerbach e de René Girard  para obter maior respaldo teórico; você lê Seis personagens à procura de um autor, de Luigi Pirandello, de modo a não deixar passar nenhuma brecha que evidencie a  construção crítica do simulacro no jogo teatral e o rompimento das estruturas representacionais no palco à italiana; você faz tudo isso para, um dia, se deparar com a notícia abaixo e pensar:

– Foda-se.

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Afinal, “quem é melhor para representar eu a não ser eu mesma?, dizia a Enteada.” E quem melhor do que Geisy Arruda para promover um colapso em Pirandello?

Ainda é extraoficial mas, em função da notícia, alguns médiuns já afirmaram ter ouvido Brecht pedindo insistentemente para reconstruírem a quarta parede. E rápido.

Das anedotas educacionais

O Plano Nacional de Educação (PNE) para o decênio 2001-2010 previa o investimento de 7% do PIB na área educacional. Contudo, até o ano passado, essa meta não havia sido alcançada, tendo-se investido em 2010 cerca de 5,1% do PIB em educação. Para se ter uma ideia, no mesmo período a Suécia investiu 7,6% do seu PIB em educação e Israel, 8%.

Para o decênio 2011-2020, o principal objetivo é destinar efetivamente 7% de toda a riqueza produzida pelo país à educação em um prazo-limite de 4 anos e fomentar um investimento progressivo que atinja um repasse de 10% do PIB até 2020. Com isso, espera-se promover antigas – e necessárias – medidas, como a valorização dos professores,  a revisão do piso salarial da categoria, a erradicação do analfabetismo, a garantia do atendimento em creches para crianças de até 3 anos e a ampliação da educação em tempo integral na rede pública de ensino.

E o que a Câmara dos Deputados tem feito em prol da educação no Brasil?

Qual foi o argumento usado para a indicação? “— Ele foi indicado pelo fato se ser um humorista de êxito no Brasil.” Risos.

Pior do que estava, ficou.

Balaaaaaaaaaaaaança

Já era de se esperar que um programa “de cunho jornalístico-policial” que se chama O Povo na TV Aqui Agora Cidade Alerta Balanço Geral tivesse a responsabilidade de apresentar aos seus telespectadores os dois lados da notícia:

Em 1., você vê policiais revistando suspeitos em uma operação contra o tráfico de drogas na região da Vila Sumaré;
Em 2., você vê moradores agitando bandeiras e acenando para a câmera a pedido do apresentador do telejornal – mas pode interpretar também como um momento: “Mãe, eu tô na Globo Record!”

TV ao vivo é isso. Imprensa marrom também.

Acerca do ENEM e outras parábolas

O Inep divulgou hoje o resultado do ENEM 2010, cumprindo assim não só os prazos estabelecidos em seu calendário como também a profecia contida em Mateus 13:49-51.
A todos os candidatos que já se sentem destituídos do Reino dos Céus, favor não seguir a prudente sugestão apontada pelo Sisu.

Amém.

Q?

Todos os transtornos, pataquadas e inconvenientes apresentados durante a prova do líder no BBB 11 só atestam e reafirmam o que a Rede Globo já dizia há um certo tempo:

Ainda que, hoje, o Q seja de quem diria… – ou quaquaqua!, segundo os membros da IURD. A pergunta que fica é: Muito além de Cidadão Kane pra quê?

Ex-não-bbb

ou “como sabotar o relógio da fama”, ou “dos princípios da comédia aristotélica” ou ainda “das formas de despertar o apreço por ex participantes de reality shows no subconsciente humano”: