Exegese Financeira

Muito se tem comentado – e não é de hoje – do enriquecimento ilícito charlatanismo má fé aconselhamento teológico sobre o dízimo e as ofertas nas igrejas evangélicas. Seja por meio da vassoura ungida, da fronha abençoada, da pulserinha de Jeová Jiré, da água do rio Jordão ou, em uma proposta que difere desses novos tipos de indulgência, vulgarmente chamada de “fé materializada”, na campanha para atingir um milhão de reais de almas, todos os que desconhecem os verdadeiros princípios bíblicos sobre a lei da semeadura e da colheita  insistem em dizer que tudo isso não passa de oportunismo. E dos grandes.

 

No entanto, para desespero dos anti-IURD, dos antivaldomirosantos e dos antimikemurdock, existe uma lógica nas Sagradas Escrituras, digna de um silogismo vieiriano, que sustenta toda essa lavagem de dinheiro exploração puta falta de sacanagem cristã prática dizimista. Acompanhemos:

Exegese 1

 

Sabendo que o céu é o lugar dos tesouros, o bom Jesus nos aconselha:

Exegese 2

 

Logo, se o céu é o lugar dos tesouros, e prioritariamente o primeiro a ser buscado, como de fato é a Nova Jerusalém e o  que devemos desejar do Reino de Deus que nos é prometido?

Exegese 3

 

Entenderam? Não há nada mais cristão do que enriquecer aqui e antecipar o Reino de Deus na terra. Fazendo o câmbio divino, é só trocar o correspondente em jaspe, safira, calcedônia e esmeralda por grandes fazendas, aviões particulares, carros luxuosos e/ou templos megalomaníacos (ainda que, por enquanto, só os pastores usufruam disso – afinal, o leite e o mel de Canaã não são para todo mundo).

 

Taí uma verdade bíblica inquestionável, quase tão válida quanto a profecia do dá ou desce.

Palavra da salvação.

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#euamoomeuprefeitoradicalmente

Parece que o fim de ano é o momento propício para os belo-horizontinos serem presenteados com, digamos, uma ou outra surpresa estapafúrdia do prefeito Márcio Lacerda.

Após o erro de ter se candidatado à reeleição – erro que só não supera o equívoco de ter sido reeleito -, muitos se perguntavam o que mais poderia se esperar dele, o prefeito Márcio Lacerda.

 

Daí, em um belo dia, você se depara com isso:

Prefeito 1

 

Depois, com isso:

Prefeito 2

 

E com isso:

Prefeito 3

 

E constata que sim, o prefeito Márcio Lacerda chegou ao seu limite. Porém, anestesiado pelo espírito natalino, o prefeito-bom-velhinho dos belo-horizontinos guardou o melhor para o final, e conseguiu se superar ainda mais promovendo isso:

Prefeito

 

E de amigo oculto, o que os belo-horizontinos poderão dar para o seu ilustre prefeito? Nós sugerimos uma edição de Cartas Chilenas, com dedicatória e tudo mais.

 

Feliz 2013 ao prefeito Márcio Lacerda.

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Mãe Natureza X-9

Em relatório divulgado no mês passado, o Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais  apontou indícios de graves irregularidades no processo de licitação pública para a realização do projeto de engenharia e arquitetura do estádio Mineirão, voltado para a Copa do Mundo de 2014.

No projeto básico do estádio (por sinal, até o momento, o mais caro do Brasil), foram constatadas irregularidades como ausência de licitação pública, pagamentos por serviços não executados, desvio de objeto, jogo de planilha (esquema que permite aditivos de contratos sem necessidade) e superfaturamento. Em cifras, toda essa falta de vergonha na cara já custa R$ 29.378.102,19.

O que mais causa espanto, na verdade, foi a necessidade de se esperar chegar a fatos e números tão expressivos para se cogitar alguma ação ou medida que verificasse a quantas anda o projeto para o Mineirão. Diga-se de passagem que, antes mesmo do início das obras, até a Mãe Natureza já sabia onde estava o pote de ouro dos humanos:

“É só seguir a trilha até o fim do arco-íris!”

Fábulas da pós-modernidade: duvidar, quem há de?

 

Pirandellismos

Você tenta compreender a  tensão entre o real, o verossímil e o fictício instituída no texto literário; você analisa os impasses entre a mímese aristotélica, a mímese platônica e  o conceito de imitatio a fim de confrontá-los com a definição de diegese, se valendo até mesmo dos estudos de Erich Auerbach e de René Girard  para obter maior respaldo teórico; você lê Seis personagens à procura de um autor, de Luigi Pirandello, de modo a não deixar passar nenhuma brecha que evidencie a  construção crítica do simulacro no jogo teatral e o rompimento das estruturas representacionais no palco à italiana; você faz tudo isso para, um dia, se deparar com a notícia abaixo e pensar:

– Foda-se.

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Afinal, “quem é melhor para representar eu a não ser eu mesma?, dizia a Enteada.” E quem melhor do que Geisy Arruda para promover um colapso em Pirandello?

Ainda é extraoficial mas, em função da notícia, alguns médiuns já afirmaram ter ouvido Brecht pedindo insistentemente para reconstruírem a quarta parede. E rápido.

Dicionário ilustrado de expressões políticas

“nepotismo”:

Independente do contexto, pode ser empregado como sinônimo de valor tautológico para “ações de gabinete”. Sobre as contratações, a assessoria de Tiririca justificou que os deputados precisam de funcionários que entendem das suas áreas de atuação. Nas entrelinhas: ser político e ser humorista nunca foram coisas tão indistintas.

Ao menos, parece que Tiririca já sabe muito bem o que um deputado federal faz.

Das brasilidades

Quem precisa de Guitar Hero quando se tem o Berimbau Hero?

Ainda mais quando conta com o financiamento do CNPq e um certo apoio da Fapesb contra, digamos, possíveis recaídas da moléstia de Nabuco.
Para o futuro, planeja-se o lançamento do Pandeiro Hero e as edições especiais de Lundu Hero e Carmem Miranda Hero.

Para jogar Berimbau Hero, clique aqui.

Tetzel quer saber

Johann Tetzel quer saber por onde andarão os hipsters.


À espera do novo álbum do MGMT, quem sabe…