Aprendi com o ENEM

Conforme esperado, o Ministério da Educação divulgou nesta sexta-feira o resultado do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2012. Igualmente esperada foi a reação dos candidatos, que reclamaram muito no twitter sobre a demora na consulta, a sobrecarga de acessos no site do Inep, sobre os métodos de correção empregados e a surpresa acerca da nota alcançada, ainda que com muito ódio e ironia no coração já que parece que, até hoje, o ENEM não é lá levado muito a sério.

 

Dada a proximidade do ano novo, é bastante aconselhável compreender esse momento como o ápice de um processo marcado por muita dedicação e estudo, por horas enfadonhas no cursinho e por paciência, muita paciência para aguentar o tragicômico desafio de realizar as provas do ENEM.

Como palavra de consolo aos que realizaram o exame, sejam infortunados ou não, apenas dizemos:

 

“O correr da vida embrulha tudo, a vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta:

ENEM Coragem 1

ENEM Coragem 2

ENEM Coragem 3

ENEM Coragem 4

O que ela quer da gente é coragem.” – João Guimarães Rosa.

Muita CORAGE para todos nós. Sempre!

Anúncios

Dicionário ilustrado de termos do jornalismo

faits divers“:

De acordo com o contexto, pode ser empregado como sinônimo de sensacionalismo ou penny press, embora semanticamente se recomende empregá-lo como termo metonímico-cômico para a expressão a outra versão da história.

Créditos para o Sensacionalista, um jornal assumidamente isento de verdade.

Acerca do ENEM e outras parábolas

O Inep divulgou hoje o resultado do ENEM 2010, cumprindo assim não só os prazos estabelecidos em seu calendário como também a profecia contida em Mateus 13:49-51.
A todos os candidatos que já se sentem destituídos do Reino dos Céus, favor não seguir a prudente sugestão apontada pelo Sisu.

Amém.

#desabafo

Se tem uma lição que 2010 nos admoestou muito bem foi “Consumidor: exija os seus direitos!”. A escola Tulla Luana de reclamações ensina que, ainda que você seja uma vítima do ENEM, acredite: reivindique-os – ou simplesmente desabafe:

Sugere-se que os candidatos ao vestibular da UFMG ensinem ao garoto do vídeo alguns gritos de guerra propícios para esse tipo de choramingo vitupério, principalmente porque argumentos como “fazer a egípcia pra mim”, “deixei de ver meus ídolos do queprúsculo” ou “e vai tomar no cu quem não gostar do vídeo”  não são tão convincentes.

Exame Nacional do Ensino…

Frente ao iminente colapso da máfia do sistema de cursos pré-vestibulares, a necessidade de um diferencial que aja como estratégia inovadora e potencialmente atraente se tornou imperativa, sobretudo em Belo Horizonte, onde os cursinhos são monopolizados pelos irmãos Rodrigo e Rommel Domingos ou por Paulo Miranda  bastante competitivos. O problema é quando o diferencial é inovador demais:

O pior é que, dessa vez, a culpa não é do ENEM – com “M”, de preferência. Ainda bem que o cursinho se chama Soma; porque se se chamasse Sigla

p.s.: esta postagem NÃO foi patrocinada por Paulo Lamac.

Acerca do ENEM e algum buzinaço

Frente ao ethos prévio – e profético – da alta cúpula da UFMG e sua decisão de aderir ao ENEM, muitos estudantes se reuniram hoje na praça de serviços do campus para reclamar de tal medida. Eles alegam o quão prejudicial tal adesão pode ser, tanto para os candidatos a uma vaga nessa instituição quanto para a própria UFMG.

Para entender a solidez e a coerência da postura dos estudantes, bastava ouvir atentamente alguns gritos de guerra , aqui reproduzidos:

“Não pago, não pagaria! Educação não é mercadoria!” – e, de repente,  zás! todos se esquecem de que 98% dos manifestantes são alunos de cursinho e, consequentemente, vítimas dessa mesma educação-mercadoria criticada.

“Ei, reitor, vai ler O desertor!” – como se, realmente, todos os estudantes, ao lerem a obra de Silva Alvarenga, identificaram um claro exercício de vituperação ao vício da ignorância que, muito facilmente, poderia ser projetado sobre a atitude da reitoria e do conselho universitário.

“ENEM é só caô! ENEM é só caô-ôôô!” – grito de guerra este que, segundo as más línguas, chegava aos ouvidos do reitor como “ENEM me soca, ô! ENEM me soca, ô-ôôô!”

Tanto barulho que acabou se tornando um jogo per contrarium.

Já podemos esperar o vazamento das provas ou fazer uma consideração como essa é tautológico?


Reitoria e seu ethos prévio

Em sua primeira reunião com a Comissão Permanente de Vestibular da UFMG, o reitor Clélio Campolina fez questão de tocar em duas feridas mal cicatrizadas na instituição: ENEM e SiSU. Valendo-se da posição do antigo reitor sobre o assunto, muito bem expressa, aliás, em “funcionários podem expressar suas opiniões individuais, mas que só o reitor fala pela universidade” (PENA, Tadeu. Blá blá blá e outros discursos. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2010.), Campolina afirmou que, particularmente, se diz favorável aos modelos de ENEM e SiSu. Por pressuposição, insira Reuni junto aos termos anteriores.

Mais uma vez, contou-se com a colaboração daquele mesmo professor de Análise do Discurso que, por não gostar muito da idéia, desabafou com seus alunos, permitindo que tudo isso se fizesse público.

Haja Forcops e Patrick Charadeau!